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Grupo de professores enxerga anúncio de escolas militares como cortina de fumaça sobre os graves problemas da rede estadual de ensino
Com déficit de professores e boa parte das 133 unidades escolares do Sul e Centro-Sul do Estado do Rio precisando de reformas de modernização, de climatização e até de carteiras escolares, materiais didáticos e de consumo, o secretário estadual de Educação Pedro Fernandes anunciou a criação de escolas militares como a primeira grande ação de sua pasta nas duas regiões.
Segundo Fernandes, as primeiras escolas militares do governo Wilson Witzel serão instaladas com recursos do fundo do Corpo de Bombeiros em Volta Redonda e Miguel Pereira, cidades localizadas no Sul e Centro-Sul fluminense.
Sobre o déficit de professores o secretário estadual de Educação prometeu solução com a contratação de horas extras. “Pegamos a rede com menos 2.016 professores, o que causa um impacto de mais de 35 mil aulas que deixam de ser dadas todos os meses. Conseguimos autorização com a Secretaria de Fazenda para contratar a hora extra dos profissionais que estão na rede para suprir a demanda e fazer com que os alunos não sofram com a falta de professores”, disse o secretário.
Segundo Fernandes existem problemas pontuais de vagas, que foram registrados na primeira fase da matrícula para o ano letivo de 2019. A segunda fase começa nesta terça, 15, ainda sem solução para o déficit de vagas, principalmente, nos horários diurnos das escolas na Zona Norte carioca.
Sobre a falta de estrutura e manutenção precária nas escolas estaduais, que apresentam vazamentos e instalações inadequadas para unidades de ensino, o secretário Pedro Fernandes disse que pedirá uma audiência com o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) para tentar acelerar o processo licitatório em andamento. “A gente acredita que, chegando esse processo de volta ainda no mês de janeiro ou fevereiro, a gente consiga licitar o processo. Espero que até o fim deste ano, a gente consiga pelo menos suprir as necessidades das escolas”, calculou.
Para um grupo de professores da rede estadual de ensino, que pediu para não ser identificado temendo represálias, a notícia das escolas militares, assim como uma cortina de fumaça, retira o foco dos graves problemas no setor. “A categoria está sendo massacrada em todos os sentidos. Os professores estão sendo demonizados e a categoria, apesar de aparentemente calada, está mobilizada para defender seus interesses”, argumentou o grupo na mensagem enviada ao JBP Papagoiaba na manhã desta terça-feira, 15.
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