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Anvisa alerta sobre possível primeiro caso de fungo mortal no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta de saúde nesta terça-feira, 8, após o Laboratório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM-USP) encaminhar o laudo com resultado positivo para o fungo Candida auris, que representa uma séria ameaça à saúde pública.
O fungo encontrado na amostra de ponta de cateter de um paciente adulto internado em um hospital na Bahia por complicações causadas pela Covid-19, confirma o primeiro caso brasileiro do Candida auris, que pode causar infecção na corrente sanguínea, no sistema nervoso central e órgãos internos.
De acordo com a agência, ainda serão realizadas análises fenotípicas e o sequenciamento genético do microrganismo pelo Laboratório Especial de Micologia da Escola Paulista de Medicina (LEMI–UNIFESP) para confirmar o laudo da HCFM-USP, porém, com os resultados dos primeiros exames a agência já está tomando medidas para prevenir e controlar infecções relacionadas ao fungo. Além disso, estão sendo implementadas investigações epidemiológicas para verificar se existe a contaminação de outras pessoas do serviço de saúde.
Em outubro de 2016, a Opas, braço americano da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um alerta epidemiológico em função dos relatos de surtos de Candida auris em serviços de saúde da América Latina, recomendando aos estados-membros a adoção de medidas de prevenção e controle de surtos decorrentes deste patógeno.
Considerado potencialmente fatal, o fungo multirresistente é capaz de driblar vários medicamentos antifúngicos comumente utilizados para tratar infecções por Candida, além de poder causar infecção em corrente sanguínea e outras infecções invasivas e ser facilmente confundida com outras espécies de leveduras. Outra característica deste fungo é a capacidade de permanecer viável, por longos períodos no ambiente, de semanas a meses, e apresentar resistência a diversos desinfetantes comuns, mesmo os que são à base de quartenário de amônio. Do ponto de vista laboratorial existe a preocupação de possíveis surtos, uma vez que há uma dificuldade de identificação pelos métodos laboratoriais rotineiros e de sua eliminação do ambiente contaminado.
Sintomas de Candida auris
A infecção por Candida auris é mais comum em pessoas que permanecem internadas no hospital por longos períodos e possuem sistema imunológico comprometido, o que favorece a presença do fungo na corrente sanguínea, levando ao aparecimento de alguns sintomas, como por exemplo:febre alta; tontura; fadiga; aumento da frequência cardíaca e vômitos.
Esse fungo foi primeiramente identificado no ouvido, no entanto também pode estar relacionado com infecções urinárias e do sistema respiratório, podendo ser confundido com outros microrganismos.
O diagnóstico da infecção por Candida auris é difícil, já que os métodos de identificação disponíveis são pouco específicos para a identificação dessa espécie, sendo importante a realização de exames mais específicos, como a PCR, por exemplo, para confirmar a espécie. Além disso, esse fungo pode ser isolado de diversos materiais biológicos, como por exemplo sangue, secreção de ferida, secreções respiratórias e urina, por exemplo.
Quem tem maior risco de infecção?
O risco de infecção por Candida auris é maior quando a pessoa permanece internada por um longo período no hospital, fez uso anteriormente de antifúngicos, possuem cateter venoso central ou outros tubos no corpo, já que esse fungo possui capacidade de aderir a equipamentos médicos, dificultando o tratamento e favorecendo a sua proliferação.
O uso prolongado ou indiscriminado de antibióticos também pode favorecer a infecção por esse superfungo, pois os antibióticos em excesso podem eliminar bactérias capazes de combater a entrada da Candida auris no organismo, evitando a infecção. Dessa forma, quanto mais antibióticos utilizados, maior o risco de infecção por esse superfungo, principalmente quando a pessoa se encontra em ambiente hospitalar.
Além disso, pessoas que foram submetidas recentemente a procedimentos cirúrgicos, possuem doenças crônicas, como diabetes, por exemplo, e encontram-se com o sistema imunológico debilitado possuem mais risco de infecção pela Candida auris.
Por isso, é importante que o hospital tenha um sistema de controle de infecção eficiente e estimule medidas de prevenção de infecção tanto relacionadas com o paciente e a equipe quanto com os visitantes do hospital. Saiba como prevenir infecções hospitalares.
Outro fator qua favorece a infecção por Candida auris é a temperatura elevada. Devido ao aumento da temperatura devido aos fatores ambientais, o fungo têm desenvolvido mecanismos de resistência às altas temperaturas, conseguindo sobreviver e proliferar no ambiente e no corpo humano com mais facilidade.
Tratamento para Candida auris
O tratamento para Candida auris é difícil, já que esse fungo tem demonstrado resistência aos antifúngicos normalmente utilizados no tratamento das infecções por Candida, sendo, por isso, também chamado de superfungo. Dessa forma, o tratamento é definido pelo médico de acordo com a gravidade da infecção e com o sistema imunológico do paciente, podendo ser indicado o uso de antifúngicos da classe das Equinocandinas ou a combinação de vários antifúngicos em altas doses.
É importante que a infecção por Candida auris seja identificada e tratada o mais rápido possível para evitar que esse fungo espalhe-se pela corrente sanguínea e dê origem à infecção generalizada, o que é muitas vezes fatal.
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